Todos os dias passamos pelos mesmos locais, vemos as mesmas matérias e seres, mas pelo fato de ser tão rotineiro acabamos automatizando nossa percepção sobre tudo que nos rodeia, isto é, não damos o real valor a esses objetos sempre os vendo como meros utensílios.
A literatura trata de ampliar essa percepção e dasautomatizar o ponto de vista fazendo com que o artista seja movido pelo estudo racional do belo. Ela tem como matéria-prima a palavra, que é um signo literário tendo significado e significante, ou seja, apenas transmite uma informação. A literatura transforma o signo lingüístico em signo literário dando vários significados a um só significante dando-o vida.
São dois os tipos de texto, o texto literário onde predomina a denotação, a linguagem objetiva, e o texto não-literário no qual expressa sentimento através da conotação. A “vantagem” do texto literário é que o mesmo apresenta multissignificados, várias interpretações o que não acontece no não-literário que apresenta um conceito único, monossignificativo.
Outro fato a chamar a atenção é a transgressão de normas e da criatividade de um texto literário, cujo usa o objetivo de desfamiliarizar o leitor das percepções automatizadas, com isso podemos dizer que a língua literária não é gramaticalmente “correta”, porque o autor descaracteriza a norma culta com objetivo de falar muito mais do que se ele simplesmente usasse a forma gramatical mais comum.
Vemos então a literariedade em oposição à literalidade, que é quando o autor rejeita a norma literal e adota a literária, para recriar a realidade, provocando assim certo estranhamento, pois a maneira é inovadora, foge dos textos comuns.
Criado por José Carlos da Silva Júnior